domingo, 13 de julho de 2014

Globo x Neymar Jr.

Perai. Só pq a Globo passa 24 horas retratando a dor do Neymar Jr.  Não quer dizer que EU só falo disso.
Como todos sabem 99% da população assiste a Globo no território brasileiro,  o 1% não possui televisão; então é mais conveniente para a Globo fazer com que NÓS mantenhamos o foco na Copa do Mundo, já que ela é a Emissora Oficial e $$ para transmitir os jogos.
É tudo pela audiência,  mas agora achar que EU (população) só falo do Neymar Jr é no mínimo ingenuidade. 
Ainda bem que existem as redes sociais para mostrar que não estamos alienados.

As Conspirações da Copa do Mundo 2014

HEHEHEHEHEHE, muito legal as histórias de conspiração após o vexame da Seleção Brasileira. Senhores a muito tempo EU entendi que futebol não é paixão, amor, ou qualquer outra coisa que a mídia tenta nos enfiar goela abaixo. Futebol é ENTRETENIMENTO, tal como as demais modalidades esportivas. Claro que quando uma equipe ou um atleta defende as cores do seu clube ou do seu país, temos aquele sentimento patriota, mas não esqueçamos que são ELES que estão defendendo as nossas cores. NÓS temos o dever de TORCER, VIBRAR, EMPURRAR a EQUIPE, mas deu. Após isso, dependerá da ATITUDE DE CADA EQUIPE ou do ATLETA  e não mais de nós.

O que aconteceu com a SELEÇÃO BRASILEIRA no jogo contra a ALEMANHA foi VERGONHOSO, mas para quem? Para mim? NÃO!!! Para AQUELA EQUIPE que estavam em campo. EU estava na torcida, fiz a minha parte, e ELES? NÃO!!!

Mas quem continuará ganhando os seus milhões por mês? EU?? Por isso não posso perder mais do MEU PRECIOSO TEMPO debatendo um assunto que NÃO compete a mim resolver e acho que cada um deveria pensar assim.

O que podemos fazer para mudar essa SELEÇÃO, a CBF, essas histórias de conspirações que perpetuam após um VEXAME?

Não pagar mais ingresso para ir nos estádios, nem mesmo o famoso PREMIERE e deu. Alguém pretende fazer isso? Acho que não! Então, conspirações a parte; acho que na boa, vamos debater o que de fato terá impacto na nossas vidas como por exemplo, as ELEIÇÕES 2014 para PRESIDENTE, GOVERNADOR, SENADOR, DEPUTADOS FEDERAIS E ESTADUAIS.

Esses debates sim irão influenciar as nossas vidas. Lembram dos GASTOS DA COPA? OBRAS QUE NEM SAIRAM DO PAPEL? Então!!! SUS, Educação, Segurança, LEIS que tramitam a anos no CONGRESSO e não saem do papel, auxílios paletós, combustíveis, alimentações, que engordam os salários dos DEPUTADOS, SENADORES, MAGISTRADOS, PRESIDENTE, GOVERNADORES, ETC... pois bem, acho que devemos retornam ao que interessa.

Você concorda com os altos impostos?
Você concorda com a falta de educação pública, saúde, segurança, moradia, sistema de transporte de qualidade?
Pois bem, pense e reflita sobre isso...

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Protestos x Vândalismos

Desde meados de junho de 2013, o Brasil vem passando por uma revolução. Essa revolução iniciou-se em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, quando desde de março de 2014 o grupo Bloco de Lutas vinha protestando veementemente contra o aumento das passagens de ônibus nas linhas municipais.

Por Decreto, o Prefeito José Fortunati elevou a tarifa de R$ 2,90 para R$ 3,05; e informou que o reajuste foi em função do aumento do combustível e demais insumos.

Os protestos vieram a tona e a população saiu as ruas, houve quebra-quebra, a Prefeitura Municipal de Porto Alegre foi danificada, o que muitos não gostaram, mas outros falaram que só assim para os políticos ouvirem.

Rapidamente, as demais capitais juntaram-se ao coro e no mês de Junho vimos grandes manifestações em várias capitais e cidades no interior. Mas rapidamente com elas, começaram a aparecer os oportunistas que viram que as polícias não estavam preparadas para essas situações e tão logo iniciava-se uma passeata, começava o quebra-quebra.

Atualmente as multidões saíram das ruas e o que restam são poucas centenas de pessoas que buscam mobilizar as pessoas, mas sempre aparecem os mascarados e tem início ao quebra-quebra .

Alguns ganharam nome como Black Block, que defende a violência como forma de pressão contra um governo omisso. Falam que os estragos em Agências Bancárias não causa nem arranhão nos lucros que os banqueiros tem diariamente. De fato há um fundo de verdade nisso, mas por que quebrar agências de bancos estatais como Caixa, Banco do Brasil, Banrisul? Os donos não somos nós?

Alguns mascarados estão quebrando estabelecimentos comerciais e saqueando as mercadorias, outros quebrando pontos de ônibus, muitos queimando ônibus e assim por diante. E agora, cadê a ideologia? Ou a ideologia é mascarar um roubo?

A polícia, bem, nem se fala na polícia que está cada vez mais acuada, pois em primeiro lugar não está preparada para enfrentar essa situação. Digo preparada, pois não há estratégia, é só jogar bomba e dispersar, mas a onda de destruição quem é que paga? Não há estratégia, pois não há o emprego da inteligência. Essa história de identificar pelas câmeras foi empregada no inicio, mas até agora, nenhuma novidade e de longe os protestos irão acabar. Então cadê a inteligência para propor ações, cercar os manifestantes, prender todos, identificá-los e caso haja comprovação de roubo enquadrá-los?

Infelizmente o que vejo são palcos para oportunistas e políticos que querem ficar próximos aos holofotes da imprensa.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Partilha no Campo de Libra - Pré-Sal

O início dessa semana foi marcada por fortes protestos e a greve dos petroleiros em razão do leilão do Campo de Libra. Para quem não sabe o que significa o Campo de Libra resumirei os fatos: O Campo de Libra é uma reserva de petróleo localizada a 170 km do litoral do estado do Rio de Janeiro, a Bacia de Santos e está há mais de 07 mil metros de profundidade abaixo da linha do mar.

A reserva que há neste campo tem cerca 1,5 mil km quadrados e será a maior área de exploração de petróleo do mundo. A estimativa de produção é de 8 a 12 bilhões de barris de petróleo praticamente duplicando a produção existe hoje no Brasil.

As reservas exploradas atualmente são todas da Petrobrás? Não. Atualmente existem 04 Bacias de Exploração de petróleo no Brasil que são: Bacia do Solimões, Potiguar, Sergipe e Recôncavo. Nelas existem diversas empresas estrangeiras entre elas a brasileira Petrobrás que exploram o petróleo nas bacias.

E como é o regime nessas bacias? Elas foram cedidas através de concessões e funcionam da seguinte forma: Os consórcios vencedores ficam com todo o óleo de um bloco arrematado em leilão, pagando ao governo apenas impostos, royalties e participação especial.

E na Bacia de Campos, qual será o regime? Será através de Regime de Partilha. No regime de partilha, empresas repartem com o governo o resultado da exploração. A adoção do regime, em substituição ao de concessões, faz com que o Estado fique com uma parcela da produção física em cada campo de petróleo. A empresa paga um bônus à União ao assinar o contrato e faz a exploração por sua conta e risco. Se achar petróleo, será remunerada em petróleo pela União por seus custos. Além disso, receberá mais uma parcela, que é seu ganho. O restante fica para a União.

É mais vantajoso o Regime de Partilha? A princípio é, mas vamos ter que esperar para ver.

Tendo em vista tal estimativa de produção na Bacia de Campos a pergunta é: A Petrobrás não possui tecnologia suficiente para explorar sozinha aquela Bacia? Pelo que deu a entender não. Mas o consórcio no qual a Petrobrás faz parte ganhou o leilão, então a expectativa é que o petróleo continuará sendo nosso. Será?


O consórcio formado pelas empresas Petrobras (40%), Shell (20%), Total (20%), CNPC (10%) e CNOOC (10%) foi o vencedor da 1ª.Rodada do Pré-sal, realizada no dia 21/10/2013, no Rio de Janeiro, com a oferta da área de Libra, na Bacia de Santos. O excedente em óleo oferecido pelo consórcio, critério que define o primeiro colocado na licitação, foi de 41,65%. A Petrobras, que será a operadora de Libra, entrou com 10% na oferta vencedora, além da sua participação mínima de 30% na área.

O consórcio também terá que pagar um bônus de assinatura de R$ 15 bilhões e arcar com um programa exploratório mínimo de cerca de R$ 610.903.087,00.

O Brasil é um estado de capital aberto, ou seja, está receptivo ao capital estrangeiro, sendo adotado o regime capitalista.

Os petroleiros por sua vez, falam que houve uma privatização do petróleo brasileiro , no qual eu lendo as notícias sobre o assunto não concordo. Se as outras bacias fossem exploradas somente pela Petrobrás, com certeza, a exploração na Bacia de Campos deveria ser somente explorada pela Petrobrás, mas não é o caso, então privatização? Eu como administrador, vejo como formação de parcerias, no qual haverá troca e aprimoramento de tecnologias para exploração em alto mar.



A Petrobrás é a maior exploradora de petróleo em alto mar, alcançando índices impressionantes de profundidade e a Shell, sua parceira no consórcio é a segunda empresa que detém a tecnologia para exploração em alto mar. 

Fonte: G1 Greenpeace ; ANP; Sindipetrolp

domingo, 20 de outubro de 2013

PS4 R$ 4.000,00 no Brasil - Maximização do Lucro da SONY - Parte 2

Por Leonardo Rossatto Queiroz

Em sua 2ª (segunda) publicação sobre o assunto, o Sr. Leonardo expõe mais detalhadamente a maximização do lucro que  SONY quer no Brasil e acaba de vez com a tese de que a culpa é somente do Custo Brasil.

Segue a 2ª publicação sobre o assunto:

O texto sobre o papel da desigualdade social no preço do PS4 obviamente teve uma repercussão muito maior que a esperada. Também foi alvo de elogios e críticas, e por isso considerei pertinente completar as informações do texto anterior e responder a alguns questionamentos.

Basicamente, os críticos ao texto se dividiram em quatro argumentos, que acabam se misturando:

- Pessoas reclamando da imprecisão dos dados tributários levantados.
- Fãs da Sony defendendo a empresa.
- Liberais defendendo o argumento de que no livre mercado isso jamais aconteceria.
- Reclamações referentes à citação do conceito de “fetiche da mercadoria”, de Karl Marx, tanto por parte dos “alérgicos” a ele quanto por parte dos “especialistas” que consideram que o conceito foi mal empregado. (inclusive fizeram um texto bem raivoso sobre).

Em relação aos que reclamaram da imprecisão dos dados levantados, admito meus parcos conhecimentos de Direito Tributário, e desde o princípio não pretendi trabalhar com valores exatos, apenas exemplificar, de forma didática, como o valor de R$ 4 mil é absurdo na comercialização do console.

Felizmente, existem pessoas com maior conhecimento tributário que o meu, e várias delas apareceram na caixa de comentários para dar suas opiniões. Dentre todas as opiniões dadas a respeito da tributação, a mais sensata me pareceu a do Luis Fernando, com o cálculo resumido a seguir:
Custo no exterior: $400 (assumindo isso como PREÇO DE CUSTO – não adianta falar que é subsidiado porque se subsidiam lá, teriam que subsidiar aqui também)
Frete e seguro: $20 (chutando alto para uma gigante como a Sony)
Valor aduaneiro em dólares: $400 + $20 = $420
Cotação do dólar: R$2,1629
Valor aduaneiro em Reais: R$908,42
Imposto de Importação (20%): R$181,68
IPI (50%): R$545,05
PIS (1,65%): R$14,99
COFINS (7,60%): R$69,04
ICMS (18% para SP): R$377,38
Total do produto nacionalizado: R$2.096,56
É um valor maior que os R$ 1700,00 que eu havia sugerido no texto anterior. Mas não torna a margem de lucro da Sony menos absurda. Também não procede a informação de que o IPI de 50% é sobre o preço de venda, por um motivo simples: a legislação tributária diz o contrário. Conferindo os fatos geradores do IPI para pessoas jurídicas, é fácil verificar que nenhum deles pode ser aplicado à operação de venda do produto, e sim ao processo de importação:
1. FATO GERADOR
1.1 São duas as principais hipóteses de ocorrência do fato gerador do IPI:
1.1.1 Na importação: o desembaraço aduaneiro de produtos de procedência estrangeira;
1.1.2 Na operação interna: a saída de produto de estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial.
Fonte: http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/ipi/conceito.htm
Espero que os dados tributários estejam mais precisos agora. E também admito que cometi um ato falho ao dizer que “quem tem 87 vezes mais renda consome 87 vezes mais”. O certo seria “quem tem 87 vezes mais renda tem uma capacidade de consumo 87 vezes maior”. Com a ressalva de que, nesse caso, as pessoas não devem consumir muito menos que isso, em um país com pouca poupança interna como o Brasil.

Em relação aos fãs da Sony que tentaram defender a empresa, o argumento do fetiche da mercadoria cai como uma luva. Esse conceito de fetiche da mercadoria é, explicando de uma forma muito simplificada, a transformação de uma relação comercial em uma relação afetiva. Uma relação, que deveria ser meramente comercial, é encarada pelo sujeito que adquire o produto como uma relação pessoal. E é esse conceito que sustenta a diferenciação pelo consumo e a noção de “exclusividade” com base na aquisição de um produto que a maioria não pode adquirir.

É o conceito de fetiche da mercadoria que explica, por exemplo, a existência de “fãs da Sony” ou “fãs da Apple”. O que é um fã da Sony senão um sujeito que transforma uma relação comercial em uma relação afetiva? E obviamente só é um fã da Sony ou da Apple o sujeito que tem um poder aquisitivo bem maior que a média da sociedade e pode adquirir esses produtos. É por isso que é impossível dissociar a desigualdade social dos preços praticados pela Sony. O Brasil é o único lugar do mundo em que a renda ou a capacidade de endividamento dos “fãs da Sony” em comparação com o restante da sociedade faz com que valha a pena a comercialização de um console ao preço de R$ 4 mil.

Além disso, há um outro fator relevante: a expectativa de queda no preço do console. Quando o potencial de consumo dessa legião de “fãs da Sony” estiver esgotado, a empresa abaixará o preço do PS4 para atingir novos públicos. Lá pra 2017, quando o PS3 não estiver mais disponível (a Sony lançou o console em 11 de novembro de 2006 prevendo uma vida útil de dez anos para o mesmo), o PS4 finalmente atingirá o patamar de preço do PS3 hoje (e a Sony provavelmente estará se preparando para lançar o PS5). É pura estratégia empresarial da empresa, adaptada ao perfil do mercado brasileiro.

Em relação aos liberais que consideram o livre mercado ideal para que não ocorram aberrações do tipo, e tem certa repulsa ao conceito de desigualdade social, lembrem-se: estamos no Brasil, que tem uma história nacional muito peculiar. Se pudéssemos resetar a sociedade, recomeçá-la do zero e garantir que todas as pessoas tivessem boa índole, eu seria o primeiro sujeito a apoiar o livre mercado. No entanto, estamos em uma sociedade com uma história de desigualdade mal resolvida desde a colonização. É óbvio que os impostos também tem efeito nesse preço absurdo. Acabamos de ver, pelos cálculos do Luís Fernando, que um console que deveria entrar no país por cerca de R$ 1000 acaba custando mais de R$ 2 mil. É muita coisa.

Mas como confiar no empresariado brasileiro, que historicamente é um dos mais dependentes do setor público? Um exemplo: dos países do G-20, o Brasil é um dos únicos cinco em que o setor público investe mais em pesquisa científica que o setor privado. E não dá pra dizer que são “os impostos que inibem a pesquisa por parte das empresas”. Existem diversas linhas de financiamento e programas de incentivo ao empreendedorismo no país. E a grande maioria deles é proveniente do setor público. É irrisória a quantidade de investidores privados no setor produtivo no Brasil. E quando eu digo investidores privados, não estou falando do empresário que investe em sua própria planta, e sim no empresário que acredita em uma ideia e investe nela. Ao invés disso, os investidores privados daqui preferem deixar seu dinheiro investido em bancos ou em outros ativos fixos, como imóveis. Quando vão investir em alguma coisa que envolve risco, investem em ações, e não no setor produtivo.

E é nesse ponto que eu queria chegar para mostrar o que esse caso do PS4 de R$ 4 mil diz sobre o Brasil. É comum cairmos na “tentação da explicação única”, mas nesse caso isso é impossível. É nítido que esse preço, no console, envolve uma soma de fatores: a empresa que quer maximizar seus lucros, o governo historicamente protecionista, a desigualdade social sistêmica, vinda desde os tempos da colônia. E é a soma de todos esses fatores que explica o preço extorsivo do videogame.

O Brasil não é explicado pelo livre mercado, e também não é explicado pela intervenção estatal. E isso porque os cenários ideais em ambos os modelos econômicos pressupõem a boa índole dos atores envolvidos. No livre mercado, em tese, a livre concorrência regularia os mercados, produzindo uma sintonia fina entre oferta, demanda, preços, capacidade de consumo, poupança interna e em todos os aspectos da economia. Por outro lado, a intervenção estatal faria com que o montante arrecadado servisse para propiciar serviços públicos de qualidade e toda uma estrutura de bem-estar social, em um modelo comparável ao praticado nos países escandinavos.

Nada disso acontece por aqui. E quem deu a explicação para isso foi o ecologista Garrett Hardin, em uma matéria publicada na revista Science em 1968, intitulada “A Tragédia dos Comuns”. Quando Hardin publicou esse estudo, ele se aplicava especialmente à ecologia e à biologia, mas se tornou abrangente a ponto de explicar questões políticas e sociais.

A “tragédia dos comuns” é uma situação específica, no contexto da Teoria dos Jogos. Na prática, funciona assim: existe um grupo de pessoas que pode agir de maneira a maximizar seus benefícios individuais ou de maneira a maximizar os benefícios do grupo como um todo em um cenário em que não existem resultados totais individuais possíveis, apenas resultados coletivos. Como em um país, por exemplo.

Por exemplo, em uma conta de restaurante. Se, em um grupo de vinte pessoas que pagarão uma única comanda, dezenove pedem um prato de R$ 20 e um pede um prato de R$ 100, a conta total dá R$ 480, com R$ 24 por pessoa e pouco prejuízo geral. No entanto, se dezenove pessoas pedem um prato de R$ 100 e só uma pede um prato de R$ 20, todos terão que pagar R$ 96. Ou seja, se a maioria das pessoas tiver uma postura abusiva, todas acabam pagando por elas.

O Brasil é uma enorme “tragédia dos comuns”. Enquanto os governos historicamente são intervencionistas e fazem uma gestão pouco eficiente dos recursos, favorecendo o clientelismo e o patrimonialismo, os empresários e a classe produtiva tentam maximizar seus lucros de todas as formas possíveis, reinvestindo uma baixa porcentagem de seus lucros na sociedade, e até a população em geral busca levar algum tipo de vantagem, burlando regras sempre que pode. É o conhecidíssimo fator cultural do jeitinho brasileiro, explicado com precisão por diversos autores durante nossa história.

Essa “tragédia dos comuns” é responsável pelo preço exorbitante do PS4, pelo preço absurdo dos carros, pelas taxas bancárias abusivas, pela especulação imobiliária recente nas grandes cidades e até pelos preços exorbitantes que devem ser cobrados durante eventos como a Copa do Mundo de 2014.
E como reverter isso? Da mesma forma que os biólogos usam para reverter as “tragédias dos comuns”: fazendo com que a cooperação valha mais a pena do que a atitude egoísta. Em 2006, o biólogo Martin A. Nowak descreveu as motivações biológicas para a cooperação. Elas podem ser revertidas para a economia e para a sociedade, como ocorreu com a tragédia dos comuns? Certamente? Mas, para isso, o primeiro passo é convencer a sociedade de que vale mais a pena adotar uma postura cooperativa do que buscar apenas os interesses individuais, como sempre fizemos historicamente, seja no governo ou no setor privado.

Enquanto não aprendermos, enquanto país, a sermos mais cooperativos e menos individualistas, continuaremos sendo uma “tragédia dos comuns”. E isso vai se refletir em tudo: do preço dos videogames ao serviço público que os cidadãos recebem.

 

PS4 R$ 4.000,00 no Brasil - Maximização do Lucro da SONY - Parte 1

Por Leonardo Rossatto Queiroz

Resolvi postar a postagem publicada no Blog do Sr. Leonardo tendo em vista que muitas pessoas estão colocando a culpa no Governo, como sempre.

Em seu Blog, ele explica a maximização do Lucro que a SONY quer aqui no Brasil e o fato de um video game custar tão caro no Brasil.

Leia abaixo:

Um texto de uma frase no blog do Playstation no Brasil desencadeou uma reação em cadeia nas redes sociais: como é possível que um videogame de 400 dólares nos EUA custe R$ 4 mil no Brasil? Nem mesmo a justificativa padrão dos empresários, de que “os impostos são muito altos no Brasil”, é capaz de justificar um preço que é quase o dobro do preço do concorrente direto.

Para começar, é conveniente fazer um cálculo direto, considerando que o valor do console nos EUA já tem embutido em si uma margem razoável de lucro. São 400 dólares no videogame. Normalmente, o governo cobra uma alíquota de 60% na importação sobre o preço original, elevando o valor do produto para US$ 400 + (60% x US$ 400) = US$ 640. Além disso, podemos inserir, sendo muito generosos, um custo de 10% do valor total do produto, já com impostos para serviços de logística: US$ 640 + (10% x US$ 640) = US$ 704.

Atualizando esse número com uma cotação GENEROSA do dólar, que segue instável no Brasil, temos que o custo final de um Playstation 4 no país deveria ser:
US$ 704 x R$ 2,40 = R$ 1689,60.

Vamos arredondar para R$ 1700,00, com custo de transporte e com os impostos cobrados. E daí constatamos que os R$ 2.300,00 adicionais que a Sony vai cobrar no console são APENAS lucro adicional.

Mas por que isso acontece no Brasil? E por que acontece não apenas com vídeo games, mas com eletrônicos em geral, com carros, com casas, com taxas bancárias, com produtos de supermercado e de todas as demais coisas que o brasileiro consome?

É simples: embora as multinacionais tentem justificar seus preços abusivos com a falácia do Custo Brasil (sim, ele realmente atrapalha, mas não é tão determinante assim), a questão é que no Brasil a maioria das empresas internacionais cobra preços abusivos por seus produtos, mesmo que eles tenham sido fabricados aqui. E essa tentativa de maximização de lucros dá certo por um único motivo: há um público específico que compra esses produtos, mesmo que eles custem preços abusivos.

Quem é esse público específico? A parcela dos mais ricos, em um país com extenso históricos de desigualdades sociais. No Brasil, a parcela de 1% dos mais ricos tem 87 vezes a renda da parcela dos 10% mais pobres. O que, a rigor, significa que eles consomem 87 vezes mais. Ou até mais, se considerarmos que nosso sistema tributário, baseado mais na tributação do consumo do que na tributação da renda, tem efeito impulsionador na desigualdade social no país.

Ainda há um agravante: no Brasil, a diferenciação se dá através do consumo. Culturalmente a ideia de ascensão social no Brasil não se baseia na criação de uma poupança interna ou na qualidade de vida das famílias, mas na noção de consumo. O próprio governo federal se aproveitou disso em seus três mandatos, promovendo um modelo de desenvolvimento baseado no incentivo ao consumo.

As empresas sabem disso, e fazem produtos voltados a esse público que quer diferenciação. É o videogame de R$ 4 mil, o carro de R$ 100 mil, e é a eclosão de estabelecimentos “gourmet”, que oferecem produtos bem mais caros apenas porque o público que vai comprar não quer apenas o produto, e sim o status diferenciado que o consumo daquele produto confere. Karl Marx já falava disso há 150 anos atrás, com o nome de “fetiche da mercadoria”.

A questão é que a desigualdade social potencializa isso no Brasil. A diferença entre ricos e pobres ainda é imensa no país e a venda de um produto desejado por alguns que vão comprá-lo por qualquer preço, como um videogame, por conta do fanatismo e do status social, incentiva as empresas a cobrarem preços absurdos em nome do lucro fácil. Façamos uma conta tosca aqui:

Suponhamos que 25% dos potenciais compradores de um PS4 compraria ele por qualquer preço, pelos fatores já elencados. E suponhamos que o custo para a Sony de um PS4 no Brasil seja de R$ 1500,00, já incluindo impostos, custo de transporte e pós-venda.

Se a Sony colocar o preço do PS4 a R$ 2000,00, por exemplo, quantos consoles ela precisaria vender para lucrar R$ 1 milhão?

A resposta é simples: R$ 1 milhão / R$ 500 de lucro por console = 2000 consoles.

Colocando o preço do PS4 a R$ 4000,00, a Sony precisaria vender quantos consoles para lucrar R$ 1 milhão?

Resposta: R$ 1 milhão / R$ 2500 de lucro por console = 400 consoles.

Se você dividir 400 por 2000, vai perceber que a Sony, quando pratica um preço abusivo, precisa vender APENAS 20% dos videogames para ter o mesmo lucro que teria se vendesse o console a um preço justo. E se a empresa sabe que 25% dos potenciais consumidores são fãs, tem dinheiro e vão comprar o Playstation 4 de qualquer jeito, ela prefere praticar o preço abusivo, porque isso vai resultar na maximização dos lucros da empresa, apesar da corrosão da sua imagem.

Ou seja: a desigualdade social e a existência desse grupo privilegiado faz com que seja justificável, para a Sony, praticar preços abusivos no Brasil. Assim como é justificável para a Apple, para as montadoras ou para as incorporadoras imobiliárias. Nos EUA e na Europa, em que a massa de consumidores médios é maior e tem mais noção do custo e da margem de lucro embutida nos produtos, a tentativa de maximização dos lucros pelo aumento dos preços, minimizando a massa consumidora, é um enorme tiro no pé.

No Brasil, por ainda existir uma elite bastante representativa em relação ao universo de potenciais consumidores desse tipo de produto, as empresas praticam preços abusivos. É lógico que outros fatores também contribuem negativamente, como a infraestrutura de transportes do país, predominantemente rodoviária, e a alta carga de impostos. Mas nem de longe explicam a viabilidade de empresas como a Sony praticarem preços abusivos no Brasil e ainda assim lucrarem. O que explica isso, além do fetiche da mercadoria, é a desigualdade social.

sábado, 19 de outubro de 2013

Invasão ao Instituto Royal

Na última sexta-feira (18 de outubro de 2013) um laboratório localizado no interior de São Paulo foi invadido por ativistas e foram resgatados quase 200 cachorros da raça beagle.

Os ativistas informaram que os cães sofriam maus tratos além de serem submetidos a torturas e testes de laboratórios, inclusive há uma foto de um cão morto que estava congelado. Bem, esses foram o resumo dos fatos, mas após o ocorrido vem a pergunta. E agora?

Os cachorros provavelmente viverão em novos lares e nunca mais retornarão para o laboratório, aliás o próprio instituto informou que os cães não terão muitas chances de sobrevivência, pois o ambiente em que viviam era esterilizado, e ao expor esses animais ao mundo exterior seria como uma sentença de morte.

Pois bem, retornar esses animais para o Royal serviria somente para descarte, pois eles estão contaminados, não é verdade?

Em geral eu apoio inteiramente a ação dos ativistas, mas como ficam os testes de produtos? Antes desses produtos chegarem a disposição dos humanos, eles tem que ser testados, não é mesmo? Pois nenhuma indústria gosta de uma cliente que teve uma reação alérgica a um produto, ou até mesmo uma complicação mais grave se houver uma contra indicação não detectada nos testes.

Sabemos que testes em animais são realizados há muitos anos, inclusive os mais utilizados são ratos, mas também coelhos, macacos e ultimamente os cães da raça beagle.

Sabemos que cosméticos movimentam bilhões de dólares anuais e as indústrias observando esse mercado altamente lucrativo, investe em pesquisas e testes para lançar um novo produto no mercado.

Cosméticos é futilidade para mim, mas e remédios? A evolução da ciência se dá em cima de muita pesquisa e muitos e muitos testes que infelizmente passam pelos animais, onde tudo tem que ser testado antes de chegar aos testes no seres humanos.

É ruim, é triste, mas não posso dizer que não é necessário, infelizmente é um mau necessário. Repito, fiquei muito feliz com a libertação dos cães daquele laboratório, mas e agora, não devemos mais testar os novos produtos em animais? Vamos testar em quem? Diretamente nos humanos?

Não!! sabemos que não. Existe algo chamado Direitos Humanos que é baseado na Declaração dos Direitos Internacionais do Homem que foi criado logo após a 2ª (segunda) Guerra Mundial, onde Adolfo Hitler testava vários produtos em seres humanos.

Será que queremos novos Hitlers no mundo? Não!!! Pois bem, volto a perguntar, e agora?